terça-feira, 20 de abril de 2010

Os enjôos

Só um comentário rápido sobre os enjôos. Essa parte foi bastante difícil. Enjoava dia e noite, sem hora pra começar ou pra terminar o enjôo. Acordava no meio da madrugada enjoada. Fiquei com um pacote de bolacha água e sal do lado da cama para comer a noite e antes de me levantar.
Almoço? Arroz, feijão e farinha de mandioca para deixar o treco bem seco e ver se parava no estômago. Perdi uns 2kg! Cheguei a pensar que aquela seria a minha primeira e última gestação, que o próximo filho eu adotaria... Tem gente que não sente nada e tem gente que fica enjoada por 9 meses, no mínimo não sou desse último grupo. Engraçado que depois tudo é esquecido...

A segunda consulta

No dia 30 de junho a Laura, irmã de um amigo do Tom, nos ligou para fazer militância de parto natural. Nos falou do problema da quantidade abusiva de cesárias no Brasil e da forma como tratam as mulheres que optam por um parto normal (o que depois vim a saber que o pessoal que apoia o parto "humanizado" chama de parto normal frank - de frankenstein!). Por fim nos indicou o site dessa ONG, GAMA*, que apoia o parto normal "humanizado". Apesar do termo um pouco kitsch, tem um significado bacana. É um parto que respeita a mulher parindo e não faz intervenções desnecessárias ou simplesmente "extrai" o bebê de dentro dela, seja por induções com hormônios sintéticos ou por uso inadequado de fórceps.
Até então eu imaginava que a quantidade de casárias feitas no Brasil era por pedido das mulheres e que todos os obstetras incentivavam sempre o parto normal. Também nem pensava sobre como era o parto, para mim era um acontecimento fisiológico e pronto. Nessa noite eu fucei a internet como jamais havia fuçado. Entrei no site do GAMA, amigas do parto, parto do princípio etc. Li diversos relatos de parto, informações sobre parto, vi termos que jamais havia ouvido falar como saída do tampão, episiotomia, tricotomia, entre outros. Acho que nunca fiquei tão entretida com coisas na internet como naquela noite e posteriormente durante a minha gestação. Aquele foi o momento que, de fato, tomei para mim essa questão.
No dia seguinte tínhamos a segunda consulta de pré-natal marcada com o mesmo ginecologista. Levei uma lista de dúvidas para perguntar e quando sentei na frente dele, abri meu caderninho e comecei o questionário.
- o que é tampão?
- Iiiiii, isso é lá na frente, não precisa se preocupar com isso agora... (ele começou mal...)
- Mas eu quero saber...
- Tampão é uma espécie de muco que veda o colo do útero e sai duas semanas antes da mulher entrar em trabalho de parto (vim a saber depois que esse tempo varia para cada mulher)
- Ah tá... E episiotomia?
- É um corte no períneo para evitar laceração.
- Mas precisa fazer?
- Eu acredito que deve fazer para evitar que as fibras do períneo laceiem de forma muito irregular. (Será? E como se paria antigamente??)
- Mas tem que fazer de qq jeito?
- Na hora eu avalio e se for necessário faço o corte. (ufa, tenho alguma chance...)
- E tricotomia?
- É a raspagem dos pelos pubianos, mas isso é besteira, não precisa (ufa2!!)
- Eu queria tentar não tomar anestesia...
- Iiiii, olha, duvido que vc agüente... O que vejo nas salas de parto é que tem uma hora que o bicho pega e que todas pedem anestesia... (tb, com um apoio desses quem não ia pedir???)
- O bebê pode vir pro meu colo assim que nascer para mamar?
- Só se for normal, se for cesária não dá. (depois soube que obstetras "humanizados" permitem que o bebê vá para o colo da mãe e mame logo que nasceu, mãããs tem que estar com o ar condicionado desligado!!)
- E um parto mais ativo, poder andar durante o trabalho de parto?
- Só se não tomar anestesia, depois que tomou tem que ficar deitada (soube depois que o anestesista pode dar uma dose suficientemente baixa para permitir que a mulher consiga ainda andar)
- Queria doar leite, como funciona?
- Olha, geralmente as mulheres não têm tanto leite não... (tive tanto leite que melei a minha casa toda!!! Esguichava para tudo que é lado!)
Bem, consulta feita, mais um US emocionante, primeira vez que a gente viu nosso bebezinho se mexer, mais chororô e fomos embora com sentimento de "humpft"! Ficamos com a pulga atrás da orelha, começando a achar que o parto com ele seria no máximo um parto normal "frank"...

*GAMA - Grupo de Apoio a Maternindade Ativa

segunda-feira, 19 de abril de 2010

A nossa primeira consulta

Tão logo me descobri grávida, liguei para o ginecologista que me atendia e perguntei o que eu deveria fazer. Ele me indicou os exames padrão, ácido fólico e pediu para eu ir ao consultório dele em 2 semanas. Ainda tinha bastante ar de susto nessa descoberta e um sentimento de que a ficha ainda não tinha caído de fato...
Fiz os exames, tomei ácido fólico e fomos ao consultório para nossa primeira consulta pré-natal no dia 10 de junho, com 6 semanas de gestação. Super emocionada, mas morrendo de sono e de enjôo fiquei na sala de espera deitada no colo do Tom no sofá tentando não dormir.
Ele nos chamou para entrar e sentamos na frente dele sem saber muito o que perguntar. Ele começou a me perguntar se eu tinha alguns sintomas e eu me identifiquei com todos! Depois fui ser pesada (60kg!! Nunca tinha pesado tanto, já comecei mais cheinha rsrsrs) e examinada.
Deitada na mesa, depois de toda a apalpação, ele fez um ultrassom.
Essa foi a parte mais incrível, a gente viu um serzinho com 4,3mm que já tinha um coração que batia forte e rápido e estava dentro de mim! A gente tinha feito aquele ser!! Nesse momento não tinha mais como a ficha não cair, fiquei com uma felicidade indescritível e comecei a chorar. Eu estava mesmo grávida! Não era brincadeira, não era falso positivo, não era alarme falso, era nosso bebê que estava chegando. A emoção que a gente sente num momento desses é totalmente inimaginável.

Primeiros passos de uma vida a três...

Após 1 ano e 2 meses de uma vida a dois, nos descobrimos "grávidos". Sem estar usando nenhum método contraceptivo adequado (usávamos tabelinha rsrsrs) aconteceu meio sem querer, mas de fato querendo muito.
No dia 27 de maio de 2009, com menstruação atrasada em 3 dias, o Tomaz me falando para ficar tranqüila, dizia "vai descer" (até brincava "só não sei com qual tamanho...") resolvemos enfim comprar um teste de farmácia para resolver a nossa dúvida. Compramos o mais baratinho que tinha e voltamos para casa para usá-lo. Fiz conforme indicava a instrução do teste, só que a urina estava bem diluída, mas achei que não teria problema, então fiz assim mesmo. A princípio não apareceu a segunda linha e só quando eu, já conformada do alarme falso, juntava tudo para jogar fora, foi que vi uma linha fraquinha surgindo.
Chamei o Tom e perguntei a ele quantas linhas ele via e ele confirmou que eram duas. Fiquei quieta e ele me perguntou o que significavam duas linhas e contei a ele! Ele arregalou os olhos e acabamos indo de novo à farmácia para comprar mais um teste, dessa vez um dos carinhos!
Voltamos pra casa e fui fazer o teste. Dessa vez o xixi estava bem amarelo e dizia para aguardar 3 minutos para o resultado. Tinha uma tampinha que cobria o resultado e eu deixei coberto, a idéia era ver só depois dos 3 minutos para não acontecer de novo o mesmo do primeiro teste. Só que ele ficou me atazanando até eu abrir depois de 1 minuto e meio e aí vimos duas belas linhas rosas que anunciavam a chegada de mais um integrante a nossa família.
No dia seguinte um sorriso enorme cobria o rosto do Tomaz, até brinquei com ele que ficaria com caimbra de tanto sorrir. Eu estava meio zonza ainda, mas no fundo indescritivelmente feliz. :)

domingo, 5 de abril de 2009

Fotos do casamento

Hoje finalmente organizei as fotos do nosso casamento para colocar num album online e enviar para as pessoas verem (muito prático isso de album na internet, aliás). De qualquer forma, ao ver as fotos daquele dia, do civil de manhã, da arrumação com a minha irmã e as minhas madrinhas, da cerimônia a noite, da festa, da banda, da dança, dos amigos, da família toda reunida, fotos minhas, do Tom, minhas com o Tom, me deu uma baita saudade! Queria fazer tudo de novo, sem mudar nada!

Quatro meses antes da festa, quando marcamos a data, meu pai me apontou que nesse prazo conseguiríamos montar uma festa, mas que eu não esperasse que ela ficasse perfeita, pois era pouco tempo. Tranqüilizei ele dizendo que eu tinha plena consiência que ela teria seus problemas mesmo que eu passasse mais de ano planejando. O fato é que ela foi perfeita!

Na verdade, pensando bem, eu mudaria uma coisa, daria um jeito de acabar de me arrumar mais cedo, para aproveitar a festa por mais tempo. Acho que ela foi muito curta, durou só até umas 3:30! rsrsrs Brincadeiras a parte, foi a melhor festa da minha vida! Toda menina, acredito eu, pensa uma vez ou outra (ou várias) em como será a festa do seu casamento. Nunca imaginei uma festa tão maravilhosa quanto ela de fato foi.

Vou converter essa saudade em carinho para o Tom que anda trabalhando que nem um condenado para se estabelecer no ramo dos sonhos dele, fotografia.

sábado, 4 de abril de 2009

Primeiros passos de uma vida a dois...

Nos conhecemos na casa de uma amiga, mais amiga de um amigo meu que minha, uma pessoa muito legal, divertida, culta, educada etc. Fui com esse amigo na casa dela para uma festa de "despedida de casada". Idéia nova no mundo, pelo que tenho visto. Estava cansada naquela noite, coisa de workaholic, mas, seguindo conselho de outro amigo que sempre reclamava que eu só trabalhava, resolvi me mexer e ir no evento social. 

O clima de lá tava ótimo, além dos petiscos e bebidas, a conversa tava bem animada e descontraída. Uma determinada hora sentou ao meu lado um cara, lá pelos 30 anos, que se disse fotógrafo, designer de produto, trabalhava num escritório que além de ter desenhado produtos para vários clientes, cuidava da arquitetura e comunicação de uma loja. Eu, como arquiteta, achei logo um absurdo designers roubarem o trabalho de arquitetos e, como mulher, achei que aquilo tudo na verdade era um monte de lorota, afinal de contas, homens contam qualquer coisa para atrair mulher!

Conforme a noite foi avançando madrugada adentro, esse tal cara, sentado a minha frente, teve a audácia de encostar o pé no meu pé e fazer carinho! Um absurdo! E para piorar eu não tirei o meu de lá! Não sabia bem por que estava deixando isso acontecer, de fato sempre tive certa aversão a ser tocada por estranhos, o que torna isso tudo muito mais estranho! 

Mais estranho foi no final da noite, já amanhecendo, quando, depois dele ir embora, a anfitriã volta da porta e se vira para uma amiga, Ju, que estava lá com a gente a noite toda e fala que o cara, aquele que contou aquele monte de lorota para mim, que encostou o pé no meu no meio da madrugada, tinha pedido o telefone dela! Como assim quer o telefone dela? Não entendi absolutamente nada! Será que ele encostou o pé no meu pé por engano? Cheguei à conclusão que realmente não entendia nada do mundo dos homens! São uns loucos! São mesmo de Marte!

Alguns dias depois recebo recado no orkut e em seguida e-mail dele. Papinho leve, me chamando de moça bonita, amenidades. Eu ressabiada! No e-mail seguinte... pediu meu telefone. Humpft! Não sei falar não... Droga! Tá bom, passei o número! No dia seguinte me ligou, amenidades de novo, depois dos blablablas, me chama para sair. Sexta não posso, tenho compromisso (é trabalho da pós, mas ele não precisa saber especifidades!). Tá bOm, sábado eu posso! Mas como um respiro de dureza, charme na verdade, fiz três exigências: local light, não fumante e até não muito tarde.

Das exigências ele seguiu as duas primeiras, a terceira foi, sutilmente, deixada de lado. Ele me levou num barzinho super charmoso, pequeno e, por isso, aconchegante e calmo. Conversamos sobre diversas coisas, ele me contou coisas da vida dele, contei algumas da minha, bebemos vinho, demos algumas risadas e lá pelas tantas, ele começou a passar a sua mão, de leve, na minha, um carinho. Já disse como sou aversa a toque de estranhos. Não conseguiria morar em lugares onde as pessoas ficam muito próximas e toquem muito umas nas outras. Até com amigos mantenho um certo afastamento. Racionalmente, eu queria falar para ele parar, ser durona, mostrar pra ele que eu tava dominando a situação... Não consegui... Era bom demais... Ficava pensando “daqui a pouco eu vou falar para ele parar, vou tirar a minha mão”... No final da noite, além de carinho na mão, ganhei desenho feito na hora pelo Luiz Gê, que estava lá aproveitando o bar e foi abordado pelo Tomaz, dando uma de macho para que eu, curiosa, pudesse ver os desenhos dele. Desenho que mais tarde viria a ajudar a compor o convite para a festa do nosso casamento.

O tempo foi passando (pouco tempo, semanas, talvez dias) e cada dia que se passava sentia mais e mais a falta dele, tentei culpar a carência, mas a saudade tomou tanto espaço que tive que dar o braço a torcer e reconhecer para mim mesma que aquilo não era só uma falta qualquer de carinho, mas falta de carinho dele.

O resultado dessa história toda não tinha como ser outro que não o nosso casamento.

Muitas vezes me perguntei se essa amiga teria ficado enciumada com nosso relacionamento, já que eles haviam namorado há um bom tempo antes de conhecê-lo. Recentemente, essa amiga, cupida, ex-namorada dele, escreveu no blog dela  uma breve descrição da festa do nosso casamento. Vi que não há nem sombra de ressentimento e fiquei feliz. Graças à festa dela conheci esse homem maravilhoso que diariamente me faz sentir como a mulher mais feliz do mundo!

domingo, 15 de março de 2009

Eu casei!

Há exatamente um mês eu casei com o Tomaz.
Engraçado que no final de 2007 passei a virada do ano para 2008 com a minha amiga-irmã em Berlim, achando todos os homens uns cretinos. Depois conto melhor sobre essa viagem, mas o importante é que naquele momento estava totalmente desapontada com o gênero masculino da espécie humana.
Finalmente no início do ano passado o conheci. Tomaz. 
De desapontamento e falta de perspectiva nesse campo, passei a querer passar o resto da minha vida com ele. Foi difícil assumir e deixar de lado a máscara de mulher independente que não "precisa" de homem. Mas, de fato, o que eu quero mesmo é ficar com ele.
Desde que eu vim para a minha recém-reformada e reinaugurada casinha de vila, em agosto de 2008, ele veio comigo e nunca mais voltou para a casa dele. A partir disso, ele se mudou de fato e finalmente casamos.
Acho incrível como a vida pode mudar tanto em tão pouco tempo...