Nos conhecemos na casa de uma amiga, mais amiga de um amigo meu que minha, uma pessoa muito legal, divertida, culta, educada etc. Fui com esse amigo na casa dela para uma festa de "despedida de casada". Idéia nova no mundo, pelo que tenho visto. Estava cansada naquela noite, coisa de workaholic, mas, seguindo conselho de outro amigo que sempre reclamava que eu só trabalhava, resolvi me mexer e ir no evento social.
O clima de lá tava ótimo, além dos petiscos e bebidas, a conversa tava bem animada e descontraída. Uma determinada hora sentou ao meu lado um cara, lá pelos 30 anos, que se disse fotógrafo, designer de produto, trabalhava num escritório que além de ter desenhado produtos para vários clientes, cuidava da arquitetura e comunicação de uma loja. Eu, como arquiteta, achei logo um absurdo designers roubarem o trabalho de arquitetos e, como mulher, achei que aquilo tudo na verdade era um monte de lorota, afinal de contas, homens contam qualquer coisa para atrair mulher!
Conforme a noite foi avançando madrugada adentro, esse tal cara, sentado a minha frente, teve a audácia de encostar o pé no meu pé e fazer carinho! Um absurdo! E para piorar eu não tirei o meu de lá! Não sabia bem por que estava deixando isso acontecer, de fato sempre tive certa aversão a ser tocada por estranhos, o que torna isso tudo muito mais estranho!
Mais estranho foi no final da noite, já amanhecendo, quando, depois dele ir embora, a anfitriã volta da porta e se vira para uma amiga, Ju, que estava lá com a gente a noite toda e fala que o cara, aquele que contou aquele monte de lorota para mim, que encostou o pé no meu no meio da madrugada, tinha pedido o telefone dela! Como assim quer o telefone dela? Não entendi absolutamente nada! Será que ele encostou o pé no meu pé por engano? Cheguei à conclusão que realmente não entendia nada do mundo dos homens! São uns loucos! São mesmo de Marte!
Alguns dias depois recebo recado no orkut e em seguida e-mail dele. Papinho leve, me chamando de moça bonita, amenidades. Eu ressabiada! No e-mail seguinte... pediu meu telefone. Humpft! Não sei falar não... Droga! Tá bom, passei o número! No dia seguinte me ligou, amenidades de novo, depois dos blablablas, me chama para sair. Sexta não posso, tenho compromisso (é trabalho da pós, mas ele não precisa saber especifidades!). Tá bOm, sábado eu posso! Mas como um respiro de dureza, charme na verdade, fiz três exigências: local light, não fumante e até não muito tarde.
Das exigências ele seguiu as duas primeiras, a terceira foi, sutilmente, deixada de lado. Ele me levou num barzinho super charmoso, pequeno e, por isso, aconchegante e calmo. Conversamos sobre diversas coisas, ele me contou coisas da vida dele, contei algumas da minha, bebemos vinho, demos algumas risadas e lá pelas tantas, ele começou a passar a sua mão, de leve, na minha, um carinho. Já disse como sou aversa a toque de estranhos. Não conseguiria morar em lugares onde as pessoas ficam muito próximas e toquem muito umas nas outras. Até com amigos mantenho um certo afastamento. Racionalmente, eu queria falar para ele parar, ser durona, mostrar pra ele que eu tava dominando a situação... Não consegui... Era bom demais... Ficava pensando “daqui a pouco eu vou falar para ele parar, vou tirar a minha mão”... No final da noite, além de carinho na mão, ganhei desenho feito na hora pelo Luiz Gê, que estava lá aproveitando o bar e foi abordado pelo Tomaz, dando uma de macho para que eu, curiosa, pudesse ver os desenhos dele. Desenho que mais tarde viria a ajudar a compor o convite para a festa do nosso casamento.
O tempo foi passando (pouco tempo, semanas, talvez dias) e cada dia que se passava sentia mais e mais a falta dele, tentei culpar a carência, mas a saudade tomou tanto espaço que tive que dar o braço a torcer e reconhecer para mim mesma que aquilo não era só uma falta qualquer de carinho, mas falta de carinho dele.
O resultado dessa história toda não tinha como ser outro que não o nosso casamento.
Muitas vezes me perguntei se essa amiga teria ficado enciumada com nosso relacionamento, já que eles haviam namorado há um bom tempo antes de conhecê-lo. Recentemente, essa amiga, cupida, ex-namorada dele, escreveu no blog dela uma breve descrição da festa do nosso casamento. Vi que não há nem sombra de ressentimento e fiquei feliz. Graças à festa dela conheci esse homem maravilhoso que diariamente me faz sentir como a mulher mais feliz do mundo!
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